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em: 24/03/2009

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Encontro com Tadeu Chiarelli

Na recém-improvisada área de convivência do Departamento de Artes Plásticas da USP, conversamos sobre curadoria e processos curatoriais ligados a projetos artísticos com o intuito de instigar o crítico, curador, historiador e professor Tadeu Chiarelli à um convite para que participasse da Temporada de Projetos na Temporada de Projetos.

Um dos motivos para tê-lo chamado é a extensa e crescente lista de participações em júris de editais em todo o país. Mas, claro, o que interessa muito é que, além disso, ele também exerce a posição de curador e crítico de arte, o que permite uma abordagem em contraposição por experiência própria de cada um desses papéis.

A nossa conversa começou com uma explicação básica sobre o projeto, onde contamos as idéias principais, o funcionamento da autorização, as reações dos artistas convidados e como incluí-las na exposição. Falamos um pouco também sobre como vemos a ligação do Paço com a USP e algumas formas que pensamos de convidar docentes de outras áreas para participarem de atividades ligadas à exposição para abranger interesses de outras unidades da USP que sejam ligadas ao tema dos projetos, quase que numa tentativa de conectar o Paço com a USP por meio de uma abordagem interdisciplinar.

Ligado ao tema dos editais, Tadeu contou um pouco sobre algumas características que ele destaca de suas experiências, principalmente como vê a sua bagagem como crítico e curador influenciar na prática de seleção em júris e como isso acaba ficando claro no momento em que essa seleção é realizada em conjunto com outros profissionais. Além disso, contou como, em alguns salões, há ainda uma incompreensão sobre qual é o papel do curador e, não raro, está entre suas incumbências a montagem da exposição.

Numa segunda colocação, Tadeu se disse bastante surpreso com o crescente interesse em curadoria nos últimos anos. Interesse esse que o alcança diretamente não só por ter vasta carreira em curadoria, mas também pela posição que ocupa dentro do Departamento de Artes Plásticas, contexto universitário onde, segundo ele, houve recentemente uma intensificação sobre o  debate sobre a “profissionalização” dessa posição.

Para ele, um grande problema relacionado a esse debate é uma relativa falta de tradição da curadoria no país, ou seja, a inexistência de uma história dessa prática local ligada também ao fato do próprio conceito de curadoria ter poucas oportunidades para ser refletido sobre ou colocado em debate. Falta essa que acaba gerando a necessidade de uma base sobre a qual novas práticas curatoriais possam ser avaliadas, sejam as mais experimentais ou as mais tradicionais, seja positiva ou negativamente; enfim, que permita um posicionamento mais claro sobre a curadoria. Mais ainda, Tadeu disse não acreditar numa prática curatorial que seja uma prática profissional autônoma, ou seja, que não seja pautada em uma pesquisa — ou desenvolvimento de uma pesquisa — de crítica e de história da arte. Essa crença, ainda segundo ele mesmo, pode advir de sua formação ou mesmo de uma diferença geracional, mas que poderia ser esclarecida se as posições relativas ao tema se tornassem públicas e abertas.

Trabalho de Regina Silveira para o Projeto Parede do MAM

Trabalho de Regina Silveira para o Projeto Parede do MAM

Ainda nesse contexto, Tadeu explicou um pouco sobre o seu próprio processo como curador, que ele próprio chamou de uma abordagem muito particular, na qual ele sempre parte de um interesse por uma obra e não por um artista. O que, para ele, significa que a relação estabelecida é entre o curador e a obra e não entre o curador e o artista nem mesmo entre o curador e um projeto, que ele teria que acompanhar, já que ele prefere encarar a curadoria como um produto final sobre o qual ele possui controle e não como um processo. Mas foi aí que, lembrando de algumas práticas anteriores, ele se recordou da experiência que teve com o Projeto Parede do MAM, no qual era inevitável que buscasse um artista para desenvolver um projeto, já que há uma limitação muito concreta, clara e precisa: a parede. De qualquer forma, essa atuação distinta daquela que vinha relatando, segundo ele a única série de projetos que ele desenvolveu dessa forma com artistas, levou a uma breve reavaliação da maneira como Tadeu encara a sua prática, ainda de modo reticente, mas que, de qualquer forma, deixou margem para alguns pontos que podem ser abordados na sua palestra dentro da Temporada de Projetos na Temporada de Projetos.

Encontro com Milton Sogabe

Nas novas intalações do Instituto de Artes da UNESP, na Barra Funda, em São Paulo, conversamos com Milton Sogabe sobre sua participação na Temporada de Projetos na Temporada de Projetos. Na verdade, a reunião estava marcada para ocorrer uma semana antes, mas nos desencontramos do Milton no meio da mudança da UNESP para a Barra Funda e tivemos remarcar.

Milton, além de professor da UNESP, onde ministra a disciplina de processos de criação e projetos interdisciplinares, é um dos membros do grupo SciArts.

Foi por meio dessa disciplina que surgiu a idéia de convidá-lo para ministrar uma das palestras do projeto. Começamos o encontro explicando ao Milton, que já conhecia o projeto, alguns detalhes que ele ainda não estava a par e também como gostaríamos que fosse a participação dele em uma das palestras. A intenção é que essa seja a palestra mais pragmática de toda a exposição, ainda que com uma apresentação investigativa sobre salões, editais, e linhas de fomento no Brasil. Ele próprio sugeriu fazer uma análise crítica desse quadro.

O Milton levantou alguns pontos interessantes para pensarmos sobre o projeto, sendo o primeiro o fato de se tratar de uma curadoria proposta por artistas. Como no projeto inicial enviado ao Paço, explicamos um pouco sobre como nos víamos nesse papel um tanto complicado e de difícil definição, mas a essa posição, que ele chamou de zona cinza entre artista e curador, Milton sugeriu que não deveria uma preocupação propriamente, já que correríamos o risco de se fechar em uma mera discussão terminológica que de fato não nos interessa.

O segundo momento importante foi a avaliação do projeto como algo “novo” que, por isso, interessou a ele. Claro que se tratou de um comentário “en passant”, e com um intuito elogioso, mas, devido ao constante pensamento auto-crítico (e até à discussão iniciada no primeiro contato com os inscritos) ela voltaria a tona mais adiante pela via de uma re-avaliação desse critério (até mesmo no contexto do(s) edital(is) onde esse é um pre-requisito).

em: 18/03/2009

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Encontro com Ligia Nobre

Em quase três horas de conversa numa padaria na Rua Maranhão, em São Paulo, explicamos à Ligia os detalhes do nosso projeto e conversamos sobre como ela poderia atuar no desenvolvimento da expografia.

Além de ouvir com muita atenção às nossas colocações e dúvidas, a Ligia deu muitas sugestões, principalmente em relação às pessoas que gostaríamos de envolver no projeto. Ela sugeriu sempre trazer aquelas que estejam “a favor” do projeto, já que, por mais que a intenção seja gerar o debate — e ele normalmente ser fruto das discordâncias entre as pessoas — ele não se torna saudável se a discordância for com o próprio projeto.

O Atomium, é o local onde ocorreu o projeto The Baudouin/Boudewijn Experiment de Carsten Höller

O Atomium, é o local onde ocorreu o projeto "The Baudouin/Boudewijn Experiment" de Carsten Höller

Em seguida, foi a Ligia quem contou mais sobre sua trajetória. Se formou em arquitetura pelo Mackenzie, mas sempre manteve um forte interesse em arte. Esse interesse levou ao seu envolvimento em projetos como o Arte/cidade, bem como a criação do exo experimental, que teve um importante papel na introdução de programas de residências no Brasil e de debates interdisciplinares. Em estadias na Europa trabalhou em projetos de Carsten Höller, Boris Groys e Raqs Media Collective. Depois de longo período fora, retornou ao Brasil recentemente para, entre outros, o desenvolvimento de um projeto em São Paulo com os arquitetos Herzog&DeMeuron.

Em relação ao “exo”, que consideramos um projeto que teve importantes conquistas no pensamento interdisciplinar, explicamos a ela que, embora exista — desde a nossa proposta inicial — uma vontade de dar à exposição um caráter mais interdisicplinar, ainda não conseguimos desenvolver um módulo de palestras que tivesse essa abordagem.

De volta às características específicas da exposição, conversamos também sobre a intenção de criar um espaço dinâmico, que fosse transformado — e transformável desde a sua concepção — ao longo do período da exposição. Além dos croquis que elaboramos para o projeto inicial, levamos para ela algumas referências de como poderia ser esse espaço, como as instalações elaboradas pelo projeto “curating degree zero” e a exposição “Section 7 Books“.

No que se refere à participação dela na construção do espaço expositivo, consideramos que, como arquiteta, ela também estaria elaborando um projeto — o projeto expográfico — e assim gostaríamos também que ela falasse sobre esse projeto em um dos encontros, ou seja, encarando desde já a possibilidade de tematizar, dentro do contexto da produção de projetos, o projeto expográfico como um “projeto”. Ela já havia se interessado pela nossa proposta tanto pelo posicionamento crítico que ela identificava no projeto como pela origem dele; então a possibilidade de atuar, nesse meio, como arquiteta — posição que ela nunca chegou a exercer plenamente nessa área — a atraiu e ela disse que consideraria o convite.

em: 19/02/2009

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Encontro com Hans Ulrich Obrist

Não sabiamos muito bem o que iria resultar do encontro que marcamos com o curador franco-suiço. Pretendíamos conversar muitas coisas, saber detalhes sobre os projetos que ele vem realizando e contar sobre a Temporada de Projetos na Temporada de Projetos. Não tínhamos nenhum convite específico para fazer a ele. Sabíamos que iria ser “a very informal talk”, “briefly”, “even just a “coffee break”, conforme combinamos nos e-mails mediados pela secretária dele, Lorraine Two. Talvez ele faria algum comentário ou sugestão pertinente para o nosso projeto, falasse do formato de exposições e palestras ou do caráter interdisciplinar da proposta, como fez o Boris Groys. Enfim, fomos ao encontro sem um objetivo definido, afinal, considerávamos ele “o cara da conversa“, então, esperávamos que assuntos interessantes fossem surgir de qualquer modo.

Prédio onde se encontra o escritório de Hans Ulrich Obrist em Londres.

Fachada do prédio onde se encontra o escritório de Hans Ulrich Obrist em Londres.

Eram dez e pouco de uma manhã de quinta-feira e estávamos um pouco atrasados (demoramos para encontrar o endereço), mas mesmo assim esperamos mais alguns minutos para Mr. Obrist nos receber no apertado escritório próximo ao Hyde Park, em Londres. Podíamos escutá-lo falando ao telefone em inglês e alemão desde a saleta que estávamos. Estava um cheiro ruim, e uma das duas simpáticas assistentes do HUO presentes na sala pediu desculpas dizendo que o cheiro vinha de um problema no frigobar. A saleta, que mais parecia um pequeno corredor, continha uma estante bagunçada com todos os livros de autoria do HUO e pilhas e pilhas de pastas-arquivo de entrevistas realizadas por ele.

Quando nos chamaram para entrar na sala, também pequena e desorganizada, que se encontrava Mr. Obrist, ele continuava no telefone, e mesmo depois, enquanto conversávamos com ele, a cabeça dele parecia “dontstopdontstopdontstopdontstop…“: mandava mensagens pelo celular, riscava um papel, olhava pro lado, olhava para baixo, olhava pra cima, e fazia comentários breves, bastante breves, a respeito do que falávamos. Um deles foi que ele virá para o Brasil em Junho para lançar parte da sua série de livros de entrevistas, e também que ele já havia visitado o país em 2002 para conversar com o Prof. Walter Zanini, junto com o Ivo Mesquita e o Adriano Pedrosa, para uma coletânea de entrevistas só com curadores que gerou o livro recém lançado “A brief history of curating“. Outro comentário foi que pensa as “maratonas” que organizou como se fossem um woodstock de conversas com artistas, no sentido de que uma conversa ocorre atrás de outra por um longo período de tempo.

HUO pareceu bem incomodado com as coisas que ele tinha para fazer, e nosso encontro, que durou apenas 15 minutos, acabou parecendo um fracasso. Ao contrário do que imaginávamos, talvez ele esperasse algo mais objetivo. Não conseguimos comentários sobre a nossa curadoria e nem saber mais detalhes das curadorias que ele vem realizando ou realizará.  Todas as respostas que tínhamos pareciam desinteressadas.

Ele nos presenteou com o livro “Do it“, versão realizada por estudantes do “VCA Centre for Ideas” (de Melbourne) e do “Central Academy of Fine Arts” (Beijing). Segundo ele, o projeto “Do It”, que nós já conhecíamos, tem similaridades com nosso projeto de curadoria.

O “Do it” surgiu em 1993 a partir de uma conversa de Hans Ulrich Obrist com os artistas Christian Boltanski e Bertrand Lavier no Café Select, em Paris, e desde então consiste em um modelo de exposição móvel, aberta, e em curso, em que artistas elaboram instruções/procedimentos de execução de trabalhos que podem ser feitos em diversos locais (funciona como uma partitura musical). Parte da idéia de que de uma mesma instrução, executada por indivíduos diferentes e/ou em locais diferentes,  são criadas interpretações distintas e, consequentemente, obras distintas.

Nos despedimos, e ficamos de nos falar na vista de Hans Ulrich ao Brasil, em Junho de 2009.

Em seguida fomos ver a exposição “Indian Highway” na “Serpentine Gallery” e após a visita sentamos  na frente da galeria para esperar uma amiga chegar. Abrimos os livros que Hans Ulrich Obrist nos presenteou. Durante nossa leitura, o curador e autor dos livros que estavam nas nossas mãos passou por nós e entrou na galeria.

em: 24/01/2009

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Encontro com Boris Groys

Fotografia de um poste em Karlsruhe com poster da exposição "Medium Religion" ao lado de poster de feira erótica.

Fotografia de um poste em Karlsruhe com poster da exposição "Medium Religion" ao lado de poster de feira erótica.

Fomos ao ZKM (Zentrum für Kunst und Medientechnologie), em Karlshure, Alemanha, onde ocorria uma exposição organizada pelo curador, crítico e filósofo alemão Boris Groys, chamada “Medium Religium“. A exposição foi inspirada em um vídeo realizado pelo Groys, também chamado “Medium Religium”, que se encontrava exposto entre as obras. Usando exemplos de vídeos de propaganda religiosa e de trabalhos de artistas contemporâneos a exposição busca demonstrar o aspecto midiático das diversas religiões existentes hoje.

Fizemos uma visita rápida à exposição pois havíamos marcado um encontro com o Professor Groys e chegaríamos atrasados se tivéssemos visto tudo com calma.

No lobby central do ZKM, as 15h00 de um sábado, encontramos com o Professor Groys. De porte grande, olhos azuis, cabelos grisalhos suavemente arrumados em um topete, e vestindo um blazer sobre uma camisa. Logo ao nos conhecer a reação foi de surpresa, provavelmente ao ver que somos realmente jovens, já que foi a primeira vez que nos vimos e talvez ele estivesse esperando curadores, digamos, mais “curadores”.

Depois de uma breve apresentação, ele nos convidou — e aceitamos — para uma visita à exposição. A atendente da bilheteria nos devolveu os €uros que havíamos pago para ver a exposição pela primeira vez e nós seguimos o Professor Groys.

No caminho para a exposição, pelos longos e espaçosos corredores do ZKM, ele nos contou sobre a origem do ZKM, em 1989, onde ele também é professor.

Na visita — ele foi nos guiando começando pelo o que ainda não havíamos visto — Groys comentou os trabalhos que achava mais relevantes. Nos contou um pouco sobre o processo da seleção dos trabalhos, que havia começado há muitos anos quando ele trabalhava numa instituição em Israel. Ele também comentou sobre o largo escopo de participantes da exposição, que incluía não só trabalhos de artistas de renome internacional, mas também um seu, de outros intelectuais, de alguns de seus estudantes e também de “não”-artistas. Ficamos surpresos em saber que foi nessa exposição que o artista Gregor Schneider teria a oportunidade e apoio legal para executar o trabalho em que um voluntário morreria na exposição, mas Schneider acabou entrando na seção de documentação da exposição com outro projeto.

Após a visita à exposição sentamos com o Groys para tomar um café e conversar sobre a Temporada de Projetos na Temporada de Projetos. Já que ele confessou não ter lido a versão em inglês que lhe enviáramos por email há alguns dias, contamos detalhadamente o projeto. Ele ficou interessado e disse que havia escrito um texto sobre a elaboração de projetos que ele imaginava se relacionaria muito bem com a nossa proposta.

Um dos primeiros comentários sobre nossa proposta que ele esboçou foi um aspecto que ele chamou de “crueldade” da nossa parte, já que não deixaríamos os artistas “perderem” aquilo que queriam, estaríamos negamos o direito dos artistas de “falharem”.

Lembrou-se de uma pesquisa de opinião pública na qual norte-americanos de classes baixas recusavam uma proposta da então candidata a presidente Hillary Clinton segundo a qual os cidadãos mais abastados pagariam mais impostos para serem revertidos em planos de saúde aos mais pobres. De acordo com Groys, a pesquisa apontava que as classes mais baixas, numa curiosa inversão, recusava a proposta ao considerar um cenário hipotético em que eles se tornassem mais ricos e então tivessem que pagar aos membros de sua classe anterior. A questão se torna complexa pois de uma projeção futura irreal surge um descontentamento com uma situação presente e real. Dentro desse contexto, Groys levantou a possibilidade de algumas recusas a participação na Temporada de Projetos na Temporada de Projetos se darem pelo desconforto que um aceite poderia gerar nos artistas selecionados.

Em seguida, sobre a idéia do fracasso, afirmou que acredita que o projeto que falha pode ser até mais interessante que o projeto realizado, pois quando realizado o processo acaba e é “engolido” pelo produto, resume-se apenas ao produto final. O projeto que falha, segundo ele, tem o valor do processo (coisa que realmente sobra). Complementou dizendo ainda que a vida das pessoas é um projeto que falha, pois ela termina na morte, e assim deveríamos pensar a vida como processo e não como os produtos gerados por ela*.

Citamos algumas reações que apareceram ao projeto por parte dos artistas convidados para participar da Temporada de Projetos na Temporada de Projetos e ele sugeriu que publicássemos nosso diálogo com esses artistas pois seria um material muito rico para entender o processo.

Após falarmos desse que acreditamos ser o modelo de produção artística brasileira, mediado por salões de arte, Groys nos falou da situação dominante nos EUA e da Europa, onde os artistas tomam uma de duas direções — ou seguem um de dois modelos — básicas e bem contrastantes: o mercado de arte (venda de obras, muito mais freqüente nos EUA) e o “scholarship” (sistema de bolsas, residências, e outros tipos de incentivos para formação).

Quando falamos da intenção de realizar encontros dentro da exposição e, através deles, explorar formatos diferentes de palestras Groys comentou sobre a sua pesquisa nessa área e compartilhou o nosso descontentamento com esse formato fechado e difundido palestrante-microfone-mediador-público.

Por fim, o Groys sugeriu que falássemos com Anton Vidokle, já que ele também se interessaria muito pelo nosso projeto.

No dia seguinte Groys nos enviou um texto bastante reflexivo sobre a vida entre projetos: “The loneliness of the project”.

[*] – Groys nos presenteou com o vídeo de sua autoria “Thinking in Loop” que busca pensar o filme como mídia. Uma das questões interessantes que ele trata é a relação com a noção de imortalidade, afirmando que as pessoas planejam (projetam) suas vidas para deixarem um legado após a morte; e também que a vida dos objetos de arte dentro dos museus é uma vida após a morte.