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	<title>Temporada de Projetos na Temporada de Projetos &#187; formatos</title>
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	<description>blog do projeto "Temporada de Projetos na Temporada de Projetos"</description>
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		<title>Seminários de Curadoria: Lisette Lagnado e Ricardo Basbaum</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 02:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiza e Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[referências]]></category>
		<category><![CDATA[Boris Groys]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
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		<description><![CDATA[A curadora e professora Dra. Lisette Lagnado organiza semestralmente na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, um seminário sobre curadoria, no qual já passaram Paulo Herkenhoff e Adriano Pedrosa. Na sua terceira edição o convidado foi o artista-etc Ricardo Basbaum, dando ênfase em exposições organizadas por artistas que assumem um papel comumente reservado ao crítico.
Uma das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A curadora e professora Dra. <a href="http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal/.convidados/llagnado">Lisette Lagnado</a> organiza semestralmente na <a href="http://www.fasm.edu.br/index.php/Home/3">Faculdade Santa Marcelina</a>, em São Paulo, um seminário sobre curadoria, no qual já passaram <a href="http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal/.convidados/p_herkenhoff">Paulo Herkenhoff</a> e <a href="http://www.banffcentre.ca/press/contributors/pqr/pedrosa_a/">Adriano Pedrosa</a>. Na sua terceira edição o convidado foi o artista-etc <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2473292,00.html">Ricardo Basbaum</a>, dando ênfase em exposições organizadas por artistas que assumem um papel comumente reservado ao crítico.</p>
<p>Uma das características mais interessantes dos seminários organizados pela Lisette Lagnado é o formato de como esses encontros são realizados. Esse é inclusive um dos motivos pelo qual nos interessava a participação dela na <strong>Temporada de Projetos na Temporada de Projetos </strong>(infelizmente ela não poderá participar por conta de um compromisso no fim do segundo semestre).</p>
<p>O seminário está estruturado em duas partes. Na primeira, Lagnado entrevista o convidado. Essa entrevista é resultado de 2 ou 3 meses de conversas entre os dois, bem ensaiada, mas durante a apresentação permite naturalidade e espontaneidade. Após um intervalo, a segunda parte é aberta para perguntas elaboradas pelo público, sendo que as perguntas são enviadas à mesa na forma escrita (em pequenos papéis) após o final da primeira parte e antes do início da segunda (o que permite à Lisette organizar/agrupar as perguntas). Toda a conversa é transcrita e divulgada na edição seguinte da <a title="Revista Marcelina" href="http://www.fasm.edu.br/index.php/Materia/1/138/Revista-Marcelina">revista Marcelina</a>.</p>
<p>Ocorrendo 2 vezes ao ano, há bastante preparo para cada encontro, o que fortalece a sua efetivação.</p>
<p>O seminário com Basbaum iniciou às 17hs e terminou às 21hs, do dia 16 de junho. Lagnado começou afirmando que &#8220;todo curador deve ser um crítico&#8221;, deve ter &#8220;responsabilidade intelectual fora dos museus&#8221;, e não ser um &#8220;simples produtor &#8220;. E lançou a pergunta: &#8220;como pertencer ao circuito [como produtor de "objetos" artísticos] e criticar ao mesmo tempo?&#8221;.</p>
<p>Basbaum falou que o problema de produzir uma obra, no seu caso se inicia com a questão do discurso crítico, mais do que a questão da curadoria, como em reação à um vazio do circuito por meio do esforço de produzir comentários críticos que de outra maneira não existiriam. Isso, para Basbaum, instrumentaliza a posição do artista, no sentido de sentar numa mesa de negociações não apenas com a obra mas também em relação à outros elementos. Só depois isso se agrega à perspectiva curatorial, no sentido de organizar situações, eventos, publicações.</p>
<div id="attachment_622" class="wp-caption alignright" style="width: 301px"><a href="http://projetosnatemporada.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/screen-capture-22.png"><img class="size-medium wp-image-622" title="Curating Comics" src="http://projetosnatemporada.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/screen-capture-22-291x300.png" alt="Curating Comics" width="291" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"> </p></div>
<p>Basbaum explicou o termo do artista-etc: o artista como curador, como crítico, e como agenciador. Para ele, estar dentro e estar fora é assumir que não existe distanciamento crítico seguro, e que sempre há uma demarcação de posições, e que nada mais é próximo da atividade do artista do que demarcar essa posição enquanto um produtor ligado a uma certa poética, à um jogo crítico conceitual histórico, e carregá-las também seja para qualquer atividade que for feita: para um gesto curatorial, critico, etc, e a partir daí criar um campo de ação.</p>
<p>Basbaum, respondendo ainda a primeira provocação, falou que não existe mais somente o contato sensorial com a obra, no sentido de uma relação imediata, que a pureza da espontaneidade imediata não existe mais, e que há mediação o tempo todo. E afirmou que é na disputa entre mediação e imediação que reside a tensão entre a curadoria e a produção da obra, e mesmo o estar dentro e estar fora.</p>
<p>Lagnado citou o texto do <a title="Outros artigos que mencionam Boris Groys" href="http://projetosnatemporada.org/blog/tag/boris-groys/">Boris Groys</a> em que ele afirma que &#8220;o curador seria um artista secularizado&#8221;, ateu, e que ela se interessou por essa possibilidade de entender uma espécie de secularização de um lugar ou posição.</p>
<p>Ligada a primeira pergunta, Lagnado colocou o fato de Basbaum ser um não-pintor da <a href="http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo6/vaivc/index.html">geração de 80</a>, geralmente referenciada como a geração da pintura. Essa colocação voltou várias vezes ao longo do seminário, inclusive nas perguntas. Basbaum retrucou afirmando que a idéia de &#8220;geração é muito vaga&#8221; e que a geração de 80 é mais um fenômeno cultural do que artístico, e que ele se posicionou criticamente  à essa idéia. Aqui, é interessante comentar que o problema de rotular uma geração, como o caso da geração 80, continua existindo hoje: a geração de 80 ainda é a geração da pintura e as gerações seguintes também vão recebendo rótulos. Isso se tornou mais claro quando, após o seminário, ocorreu a abertura do prêmio &#8220;<a title="Site do EDP (patrocinador) sobre o prêmio" href="http://www.institutoedp.com.br/institutoedp/projetos_sociais_apoiados/premio_energias_artes/premio_energias_artes.asp">Energias da Arte</a>&#8221; , no <a title="Site institucional do Tomie Ohtake" href="http://www.institutotomieohtake.org.br/">Instituto Tomie Ohtake</a>, que consistia numa exposição coletiva de trabalhos de jovens artistas, selecionados por meio de uma convocação pública. De quase 400 projetos, cerca de 21 foram selecionados para a exposição e 3 receberam um prêmio na noite da abertura. A grande parte das obras expostas respeitavam em grande medida os limites de uma tradicional mostra de Belas Artes, isto é, eram principalmente trabalhos bidimensionais, como fotografias, pinturas e colagens. Ou seja, uma produção contemporânea significativa, que não se dá nos moldes e limites da sala de exposição, fica fora da definição dessa geração, de nascidos após 1981, focalizada pelo programa do Tomie Ohtake.</p>
<p>Entre outros assuntos colocados no seminário estava a definição do que é &#8220;arte conceitual&#8221; e &#8220;conceitualismo&#8221;, a separação da arte conceitual histórica (que, segundo Basbaum, ainda é entendida muito em relação a um contexto anglo-saxão histórico muito específico) e práticas que existem hoje e recebem esses rótulos, e que o fato das duas últimas bienais foram chamadas de conceituais. Durante a pergunta, a Lagnado explicou: &#8220;Quando afirmo que o curador é antes de mais nada um sujeito dotado de responsabilidade intelectual, eu quero discutir é a cilada do sistema neo-liberal que transformou o valor simbólico do curador independente numa expressão semântica absolutamente vil. Ou seja, o  que a gente pensava que era o curador independente antes é um serviço terceirizado&#8221;. E explicou a origem da expressão &#8220;independent curator&#8221;, cunhada por <a title="Página da Wikipédia em português sobre Szeemann" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harald_Szeemann">Harald Szeemann</a>, que inventou para si uma profissão e passou a adaptar as estruturas das instituições às exigências das práticas artísticas, investindo em &#8220;intensas intenções&#8221; no lugar de &#8220;masterpieces&#8221;. Ou seja, o curador independente não traria as grandes obras, mas sim estaria comprometido com suas &#8220;intensas intenções&#8221;. Porém, segundo Lagnado, o curador independente não é nada disso, e sim tem se tornado dependente da situação econômica da instituição a qual trabalha e isso também acarreta numa submissão moral.</p>
<p>Referenciando o debate &#8220;<a title="Site oficial do projeto" href="http://www.e-flux.com/projects/next_doc/index.html">The next documenta should be curated by an artist?</a>&#8221; (2003)  lançado por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jens_Hoffmann">Jens Hoffmann </a>, Lagnado enfaticamente perguntou a Basbaum: você gostaria de curar a 29a Bienal de São Paulo?</p>
<p>Após um &#8220;não&#8221;, Basbaum afirmou que acha interessante a provocação que Hoffmann faz para que os artistas produzam textos, como no &#8220;The next Documenta&#8230;&#8221;. Porém, &#8220;projetos curatoriais&#8221;, afirmou, &#8220;eu realizei muito poucos&#8221;. E citou o caso do <a href="http://www.mam.org.br/2008/portugues/historia.aspx">Panorama</a> (2001) e experiências na Eslovênia e em Portugal. &#8220;Tenho resistência a eventos muito grandes como a Bienal de São Paulo, onde há um formato pouco moldável. Me posiciono mais junto de pequenos projetos, muito específicos, que me intessariam praticar esse papel&#8221;. Por outro lado, Basbaum não excluiu a possibilidade de uma eventual colaboração, de uma curadoria que hipoteticamente pudesse ocorrer com uma equipe, mas, devido exatamente ao grau de especulação é muito difícil afirmar qualquer comprometimento hipotético.</p>
<p>Basbaum apresentou uma série de trabalhos chamada &#8220;Re-projetando&#8221;, que para ele é uma série que se aproxima mais da prática curatorial. Ele projeta o desenho/forma <a title="NBP - Ricardo Basbaum no forumpermanente.org" href="http://www.forumpermanente.org/.rede/nbp/">NBP</a>, criada por ele e que se repete nos seus trabalhos, em um mapa e descobre nove pontos em que ele passa a realizar ações/eventos diversas, artísticos ou não, por meio de uma prática coletiva e transparecendo as relações institucionais.</p>
<div id="attachment_709" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.forumpermanente.org/.rede/nbp/"><img class="size-full wp-image-709 " title="NBP" src="http://projetosnatemporada.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/nbp2.jpg" alt="nbp2" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">A forma NBP usada por Basbaum em &quot;Re-projetando&quot;</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p>Em seguida, Basbaum apresentou um outro projeto em que foi co-curador chamado &#8220;<a title="Página em inglês sobre o projeto, no site do Württembergischer Kunstverein Stuttgart" href="http://www.wkv-stuttgart.de/en/programme/2006/exhibitions/on-difference-2/">On difference #2</a>&#8220;, em que aconteceu em <a href="http://maps.google.com.br/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=Stuttgart&amp;sll=-14.179186,-50.449219&amp;sspn=81.544333,151.875&amp;ie=UTF8&amp;ll=48.778818,9.180794&amp;spn=7.559954,18.984375&amp;z=6">Stuttgart</a> na Alemanha, <a title="Página sobre a seção realizada por Basbaum, no mesmo site do Kunstverein" href="http://www.wkv-stuttgart.de/en/programme/2006/exhibitions/on-difference-2/curators-sections/ricardo-basbaum/">onde ele propôs</a> trazer quatro situações que envolvessem os artistas desempenhando papéis como produção editorial, mobilização política, construção de eventos, e pesquisa. A presença dele como curador estava na organização dos projetos mas também na &#8220;inserção plástica&#8221; no espaço reservado e desenhado para a exposição, uma experiência que Basbaum denominou de &#8221;escultura curatorial&#8221;.</p>
<p>Uma das últimas perguntas que Lagnado fez para Basbaum continuou o debate a respeito das redefinições das mostras, como a Bienal e o Panorama. Segundo Lagnado, as identidades das mostras tem mudado, &#8220;a não ser o <a title="Rumos Artes Visuais no site do Itaú Cultural" href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2839">Rumos</a> que continua sendo um programa de mapeamento que procura dar visibilidade a artistas que não tem visibilidade, mesmo que às vezes são reencontrados certos nomes que já estão inseridos&#8221;, pois eles tem a preocupação com o mapeamento. Lagnado colocou que a exposição sempre depende do curador que vai estar a frente do projeto. Ela é, assim, &#8220;uma caixa de ressonância do que o curador pretende colocar no espaço&#8221;. &#8220;Como esse espaço pode ser social, no sentido de instaurar lugar político e mudar não só o formato da exposição?&#8221;, questionou Lagnado.</p>
<p>Para responder a essa questão Basbaum usou a palavra &#8220;perigo&#8221;, sugerida por Lagnado, e &#8220;perigo curatorial&#8221;. Para ele, no circuito institucionalizado, a figura mais estável é a do curador, no senso comum, o perigo da exposição se atribui ao artista. Porém hoje ocorreria uma inversão, e a mídia só percebe agentes provocadores nos curadores, e &#8220;não vemos cuidado em trazer algo do encontro com as obras, e sim com o evento, uma entidade que tem uma dimensão pública mais clara&#8221;.</p>
<p>Para exemplificar um caso de substituição do curador funcionário pelo intelectual, Basbaum usou o caso do artista <a title="Página da Wikipédia em inglês sobre o artista" href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Medalla">David Medalla</a>, que em 2000 fez a <a title="Artigo sobre a bienal no kunstaspekte (em inglês)" href="http://www.kunstaspekte.de/index.php?action=webkst&amp;kst_id=1923">London Biennale</a>. A Bienal se consistiu em uma proposição para que qualquer artista do mundo pudesse participar da exposição, bastava enviar três fotografias dele (do artista) com uma  flecha escrito &#8220;Bienal de Londres&#8221; e junto à estátua de <a title="Veja a estátua no Google Maps Streetview" href="http://maps.google.com/maps?q=51.509868,-0.134526&amp;t=h&amp;sll=51.509771,-0.133671&amp;sspn=0.003572,0.009077&amp;ie=UTF8&amp;ll=51.509936,-0.135057&amp;spn=0.000935,0.003291&amp;z=19&amp;layer=c&amp;cbll=51.509787,-0.134874&amp;panoid=tLxVY7Q2K0X4xIpkyehtcg&amp;cbp=12,70.17,,1,-7.25">Eros em Londres</a>. Ao longo da Bienal, vários encontros ocorreram na frente da estátua de Eros. &#8220;É um evento desburocatizado, que possibilita uma rede a partir de encontros, e vemos que isso acontece a partir da poética do artistas&#8221;, concluiu Basbaum.</p>
<p>A <strong>Temporada de Projetos na Temporada de Projetos</strong> também tem sido chamada de &#8220;conceitual&#8221;, e comparada com a última Bienal, além de já ter sido &#8216;acusada&#8217; de uma &#8220;exposição sem arte&#8221;. A possibilidade dos projetos de artistas poderem substituir as obras sempre é colocada como uma pergunta e não uma afirmação, ou seja, o fato é que a princípio realmente não sabemos se é uma &#8220;exposição sem arte&#8221;.</p>
<p>Vale a pena notar também que, diferente de Basbaum, na nossa proposta não se pretende que a prática como artista intervenha plasticamente na curadoria, ou seja, o fato da <strong>Temporada de Projetos na Temporada de Projetos</strong> ser uma exposição com curadoria de artistas não implica que ela vai ter um aspecto artístico, no sentido de elaborar uma &#8220;escultura curatorial&#8221;, e sim implica na realização de uma exposição que toma a experiência artística como ponto de partida para a proposta.</p>
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